quinta-feira, 10 de março de 2011

Pequenos financiamentos, grandes mudanças

Já ouviu alguém dizer que "o pobre é um bom pagador de dívidas"? Provavelmente sim. E é verdade. Grupos que emprestam pequenas quantias a comunidades carentes foram aqueles que popularizaram esta máxima. Estava lançado o conceito de "Banco do Povo". Hoje tomado "emprestado" por bancos comerciais, tem seu espaço consolidado em vários países, inclusive no Brasil. Nesses casos, entretanto, funcionam realmente como fomentadores de novos negócios a cidadãos que normalmente não tem acesso ao crédito formal.
Segundo Hélio Eduardo da Silva, essa história começou em 1846, na Alemanha, com a Associação do Pão. Um pastor, depois de um inverno rigoroso, decidiu emprestar farinha de trigo à comunidade para a produção de pães e consequente geração de renda. Esse procedimento é hoje mundialmente reconhecido como "Microcrédito".
É ou não é uma ação de inteligência solidária? A partir de hoje vamos conhecer alguns casos de sucesso citados pelo pesquisador:

GRAMEEN BANK - Bangladesh

Considerada a experiência seminal da modalidade Banco do Povo em todo mundo, o Grameen Bank teve o mérito de atuar como um autêntico agente de cidadania para as populações carentes de Bangladesh, na medida em que comprovou e popularizou a tese de que "o pobre é um ótimo tomador de empréstimo".
Fundado em 1978, o Grameen Bank atingiu, em 1994, a expressiva marca de 2 milhões de clientes, uma carteira de empréstimos de cerca de US$ 500 milhões e um patrimônio líquido em torno de US$ 1,3 bilhões, classificado como o maior banco de Bangladesh em volume de aplicação.
O êxito do Grameen é particularmente expressivo já que ocorreu em um dos mais pobres países do mundo, com renda per capita em torno de US$ 200. Mais de 85% da população está ocupada na agricultura e eles tem a mais alta taxa de densidade demográfica do mundo - cerca de 740 habitantes por KM2.
Neste dramático quadro socioeconômico, o professor Muhamad Yunus foi o mentor do projeto de criação do Grameen Bank, desenvolvido a partir da constatação da pouca ou nula contribuição das teorias econômicas e das correspondentes políticas preconizadas pelos órgãos internacionais de fomento, com relação a superação do quadro de miséria prevalecentes em países como Bangladesh, categorizados como abaixo do nível de pobreza.
A assertiva básica do Prof. Yunus foi que a família ou indivíduos carentes teriam condições de gerar renda suficiente para o seu auto-emprego a partir do acesso ao crédito, cujos valores não ultrapassem a faixa de algumas dezenas de dólares.
O Grameen Bank atualmente pratica juros da ordem de 20% ao ano e as poupanças captadas são remuneradas com taxas de 8,5% ao ano para uma inflação de 3%, em 1994, em Bangladesh.
O Grameen Bank tem a seguinte estrutura operacional:

-1.116 pontos de atendimento (centros comunitários), instalados em aldeias e pequenas povoações. Estes centros são supervisionados por 113 Agências, instaladas em localidades maiores e que englobam o controle de 10 a 15 centros.

-As Agências são supervisionadas por 13 escritórios de área.

-Os escritórios de área são controlados por três escritórios zonais que, por sua vez, são controlados pelo escritório central, situado na capital do país, Dhaka.

-Grameen Bank é uma instituição privada, com 90% do capital de particulares e 10% do governo. Ressalta-se que esta participação de particulares é referente aos seus mutuários.

-A estrutura diretiva do Banco é constituída por um Conselho Diretor com 13 membros, sendo nove representantes dos acionistas privados, três representantes do governo, presidido pelo Prof. Yunus, que também exerce a função de Superintendente do Banco.

Fonte: http://www.geranegocio.com.br/html/geral/microcredito/mcred.html

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